A Meta, dona do Facebook, WhatsApp e Instagram, desabilitou temporariamente os anúncios do perfil do candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Facebook, na quarta-feira (23), a dez dias do primeiro turno da eleição. A conta foi normalizada no mesmo dia, mas a empresa não explicou o que motivou o bloqueio.

O que a campanha fez

Segundo a Agência Brasil, a direção da campanha de Lula entrou com recurso contra a Meta assim que percebeu o bloqueio, alegando que a medida não tinha justificativa. A coligação Brasil Pronto pra Mais e o PT acionaram a empresa pedindo o restabelecimento do serviço e explicações. De acordo com a campanha, a desabilitação impedia a veiculação de novos anúncios eleitorais no período em que esteve ativa.

Como funciona a publicidade eleitoral no Facebook

Desde 2020, a Meta exige que quem quiser veicular anúncios sobre eleições ou política no Brasil passe por um processo de verificação de identidade e de localização, além de vincular a conta de anúncios à página oficial do candidato. Esses anúncios ficam registrados numa Biblioteca de Anúncios pública, onde qualquer pessoa pode consultar quem pagou, quanto foi gasto e para qual público o anúncio foi direcionado. É justamente esse tipo de conta verificada — a usada pela campanha de Lula — que teve os anúncios desabilitados.

Os lados

A campanha de Lula e integrantes do PT associaram o episódio a uma preocupação mais ampla sobre a atuação das big techs no processo eleitoral brasileiro — o governo Lula defende a criação de regras mais rígidas para essas plataformas, o que tem gerado atrito tanto com as próprias empresas quanto com o governo dos Estados Unidos, cujo presidente, Donald Trump, tem criticado publicamente países que buscam regular redes sociais e plataformas digitais. Segundo a Agência Brasil, o episódio reforçou, entre aliados do presidente, o discurso de que empresas sediadas nos EUA atuariam a favor de adversários políticos do PT — uma interpretação do ocorrido, não um fato comprovado sobre a causa do bloqueio.

Procurada pela Agência Brasil, a Meta não se manifestou até o fechamento da reportagem sobre o motivo da desabilitação nem sobre as interpretações levantadas pela campanha.

E agora?

Até a publicação da matéria da Agência Brasil, a Meta não havia respondido ao recurso da campanha nem esclarecido publicamente a causa do bloqueio. Não há, até o momento, confirmação técnica de que a suspensão tenha ligação com decisões políticas da empresa ou de terceiros — episódios de suspensão automática de contas de anúncio, por sistemas antifraude ou verificação de conformidade, também são comuns nas plataformas da Meta e podem ocorrer sem relação com o conteúdo político do anunciante.

Por que isso importa pra você

Cada vez mais campanhas eleitorais dependem de redes sociais administradas por poucas empresas estrangeiras para se comunicar com o eleitor. Um bloqueio de horas, mesmo revertido no mesmo dia, mostra como o acesso de qualquer candidato ao seu próprio público pode depender de decisões internas de empresas privadas — sem que o motivo seja necessariamente explicado a quem foi afetado.

Com informações de: Agência Brasil.