A reta final da campanha presidencial perdeu o que seria seu último capítulo de confronto direto: a TV Globo cancelou nesta quinta-feira (1º/10) o debate que reuniria os principais candidatos ao Planalto, horas antes da exibição marcada para logo após o Jornal Nacional — a três dias da votação do primeiro turno, no domingo (4/10). Lula (PT) já não iria participar, repetindo a estratégia usada em 2006, quando evitou qualquer debate no primeiro turno embalado pelo clima de "já ganhou". Mas foi a desistência de Flávio Bolsonaro (PL), horas antes da exibição, que derrubou de vez o programa. O estopim foram duas decisões judiciais de última hora: - O TSE proibiu a Globo de exibir um púlpito vazio com o nome de Lula, tirando de Flávio a chance de usar a ausência do adversário como palco de crítica visual. - O STF, por decisão do ministro Gilmar Mendes, determinou que a Globo incluísse Renan Santos (Missão) no debate — candidato identificado como mais agressivo contra o próprio Flávio do que os demais participantes. Para a campanha de Flávio, a combinação das duas decisões equivaleria a censura. Em vídeo ao lado de Pablo Marçal, ele foi direto: "Lula usa seus amigos do Judiciário para impor censura ao debate da Rede Globo. Muito triste e revoltante o que está acontecendo." A Globo, por sua vez, afirmou que as decisões sucessivas causaram "insegurança jurídica" e representaram interferência na liberdade dos veículos de organizar debates — e cancelou o encontro. A culpa é de todo mundo, segundo todo mundo Com o debate fora do ar, sobrou munição para acusações cruzadas entre os próprios candidatos: - Ronaldo Caiado (PSD) culpou diretamente Lula: "Lula provocou tudo isso. Ele foi o fator determinante." - Romeu Zema (Novo) chamou o episódio de "vergonha nacional": "Quem está perdendo é o Brasil." - Augusto Cury (Avante) foi além, falando em "colapso da democracia" e acusando o STF de "protagonismo desproporcional." - Renan Santos (Missão), o candidato cuja participação motivou a decisão do STF, não ficou de fora da treta: desafiou Flávio para um debate direto na sexta-feira (2/10), publicando no X: "Flávio debate comigo amanhã, me derrota e eu tiro a minha candidatura e declaro voto pra ele." Em entrevista, ainda provocou: "Não é normal os caras fugirem como diabos, especialmente o Flávio." Não é a primeira vez que isso acontece nesse ciclo eleitoral — os debates da Record e da Band já tinham sido cancelados antes, pelo mesmo motivo: Lula e Flávio combinando, sem combinar, de não aparecer juntos. Resultado prático: a três dias da votação, o eleitor brasileiro fica sem ver os dois favoritos nas pesquisas debaterem frente a frente nem uma única vez no primeiro turno.