Domingo (4), cerca de 158,7 milhões de eleitores vão às urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados. Quem for eleito vai assumir o mandato em 2027 com uma lista pesada de pendências: baixo investimento em infraestrutura, dívida pública em alta e desafios no financiamento da cultura. É o que apontam especialistas ouvidos pela Rádio Câmara em uma série especial de entrevistas do programa Painel Eletrônico, divulgada pela Agência Câmara nesta quinta-feira (1º).

O que já foi dito na série

A série não trata apenas desses três temas. Em edições anteriores, a Rádio Câmara já havia ouvido especialistas sobre educação, segurança, saúde mental, agronegócio e meio ambiente, além de inclusão de pessoas com deficiência, política externa e ciência e tecnologia, e ainda habitação, saneamento básico e esporte. A edição mais recente fechou o ciclo com infraestrutura, economia e cultura.

Infraestrutura: metade do que o setor pede

Para o consultor legislativo da Câmara Alessandro Reichert, a baixa capacidade de investimento público é o principal gargalo do país. Segundo dados da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base citados por ele, o Brasil investiu cerca de R$ 280 bilhões em infraestrutura no ano passado — o maior volume desde 2010, mas ainda perto de 2% do PIB, quando o setor estima que seria necessário o dobro disso. Reichert destaca que 80% desse montante já vem de recursos privados ou de financiamento do BNDES, o que, para ele, mostra os limites do investimento público atual diante de obras estruturantes como ferrovias e hidrovias.

Economia: dívida pública e endividamento das famílias

Na economia, o desafio é estimular o crescimento num cenário de dívida pública elevada e famílias endividadas. A economista Carla Beni, da Fundação Getulio Vargas (FGV), avalia que parte desse quadro ainda reflete efeitos da pandemia sobre empresas, governos e consumidores. Ela defende políticas como o aumento real do salário mínimo e o reforço do Sistema Único de Saúde (SUS), além de um Estado mais ativo na indução de investimentos. Em suas palavras: "nenhum país do mundo chegou onde chegou sem um Estado forte e indutor".

Cultura: sustentar o acesso fora dos grandes centros

O setor cultural movimenta cerca de R$ 400 bilhões por ano — por volta de 3% do PIB — e emprega quase 6 milhões de pessoas, segundo dados do IBGE citados na reportagem. O consultor legislativo Renato Gilioli afirma que a política cultural avançou nos últimos anos ao chegar a municípios pequenos e médios que antes tinham pouco acesso a recursos. O desafio dos próximos governos, segundo ele, será manter esse alcance combinando incentivo fiscal com fomento direto. Gilioli cita ainda que cada R$ 1 investido em cultura geraria cerca de R$ 1,70 de retorno econômico.

E agora?

A votação deste domingo decide quem vai lidar com essas pendências a partir de 2027, em meio a um cenário fiscal que os próprios especialistas descrevem como apertado. Não há, na reportagem da Câmara, promessas de candidatos específicos — apenas o diagnóstico técnico do que o país tem pela frente.

Por que isso importa para você

Investimento em infraestrutura aquém do necessário significa estradas, ferrovias e redes de saneamento que demoram mais para chegar ao dia a dia do cidadão. Dívida pública alta tende a pressionar juros e, por tabela, o crédito e o orçamento das famílias. E cultura sem financiamento estável é o que decide se um município pequeno terá ou não acesso a cinema, música e teatro subsidiados. São critérios concretos para avaliar propostas de quem está pedindo o seu voto neste domingo.

Com informações de: Agência Câmara de Notícias.